terça-feira, 13 de setembro de 2011

Movimento Juventude, Socialismo e Liberdade. J -SOL


A Juventude Sonha. Deseja. Anseia por melhores condições pra viver. E não faz isso de qualquer maneira, mas sim dentro de uma realidade dura do nosso país. Essa realidade é aquela que impede de obter um estudo de qualidade e construir um futuro melhor. Que faz do Brasil a sétima economia do mundo e o terceiro colocado em desigualdade social. De um país que gasta mais de 45% do seu orçamento nacional com juros de uma divida ilegal e imoral.
                No paraíso da injustiça, da impunidade, da depredação do meio ambiente em nome do lucro, da concentração do poder político e na manipulação dos meios de comunicação e da produção cultural encontramos  a realidade do machismo, do racismo, da homofobia, do sexismo, da xenofobia, do preconceito contra os povos das etnias indígena, dos nordestinos, afros  e nortistas, da intolerância às Religiosas e de injustiças sociais que excluem os que mais precisam. Nós, jovens Jundiaiense, à frente de todas estas contradições, não nos contentamos em contemplar ou nos adaptarmos às durezas da vida: Queremos transforma-la.
Acreditamos que, lutando podemos mudar a sociedade. No passado e no presente, grandes lutas por direitos por mudanças profundas na sociedade foram protagonizadas pela juventude e pelo povo.
Queremos solidariedade, Justiça Social, Interesse Público, Ética, Transparência, Democracia, Participação Popular e Desenvolvimento.
A educação é um dos aspectos que agem diretamente na vida da Juventude. O debate do Plano Nacional de Educação da próxima década, educadores pressiona duramente pelos seus direitos e lutar contra o corte de 50 bilhões de reais no orçamento público federal, cujo  3 bilhões de reais serão cortados do Ministério da Educação e Cultura, que comprometem seriamente o financiamento da educação e a acessibilidade do Jovem ao conhecimento.
A defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável é outro tema em pauta na sociedade Brasileira. Mudanças no Código Florestal devem caminhar no sentido de modernizá-lo e aperfeiçoá-lo à luz dos avanços científicos acerca da preservação da natureza, da questão climática e das funções institucionais das Áreas de Preservação Permanente e Reservas Legais; de ampliar a Educação Ambiental dos produtores e da população em geral. Nossa cidade não fica fora do tema, por questões óbvias de especulação imobiliária, mobilidade urbana, o desrespeito as leis de proteção do meio ambiente, bem como a devastação dos nossos mananciais e nossa Serra do Japi, mostra a falta de zelo com o meio ambiente e a degradação do nosso futuro. Preservar é garantir o amanhã.
Mobilidade Urbana é um dos grandes temas que esta na pauta (inter) nacional, que faz parte do cotidiano da Juventude, pois tem relação (in) direta com o meio ambiente, com transporte público e privado, coletivo e individual. A construção de ciclovias e a melhoria efetiva do transporte público são forma de colaborar de forma sustentável para uma mobilidade urbana que favoreça o desenvolvimento social.
Nas lutas contra o aumento da Tarifa e por uma mobilidade Urbana, ficou explicito a possibilidade e a necessidade da pauta do transporte aglutinar as mais diversas lutas, uma vez que todos aqueles que vivem na cidade são afetados pelo aumento, pois mais gente fica excluída do sistema de transporte e de serviços essências para a dignidade do ser humano. Os transportes coletivos urbanos devem ser encarados como um serviço público essencial, e nessa condição devem caminhar rumo à gratuidade total e universal. A Tarifa Zero garante outro direito fundamental: o direito de poder se movimentar pela própria cidade, e a partir disto conhecê-la, refletir sobre ela e produzir as ferramentas para transformá-la.
Buscar a garantia aos direitos sociais como saúde, educação e cultura é direito e dever de todo os jovens, principalmente nós que acreditam em um futuro melhor. Lute, acredite e seja livre para construir um mundo justo.




sexta-feira, 5 de agosto de 2011

PAPIRO, PERGAMINHO, PAPEL, PC O papel do livro na era do livro sem papel Parte 1


Numa das postagens do blog do projeto “Ler é 10 – Leia Favela” (leredezleiafavela.blogspot.com), são enumerados dez motivos para ler livros: “descoberta de novos mundos”, “alegria e encantamento”, “viagem sem sair do lugar”, “novos amigos”, entre outros. Otávio Júnior, o visionário do projeto, tem 27 anos, é carioca, morador do Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, cenário dos conflitos entre a polícia e criminosos que expõem de maneira tão negativa esse local, em que trabalhadores e pessoas do bem tentam viver, relacionar-se e lutar pela sua cota de ideais, sonhos e projetos.

Otávio Júnior é autor do livro “O livreiro do Alemão”, no qual narra a sua história de amor pelos livros, e deve inaugurar, no dia 22 de agosto próximo, no Morro do Caracol, a “Barracoteca” Hans Christian Andersen, denominação que ele criou para a primeira biblioteca numa região de quatrocentas mil pessoas. Em outras palavras, na era da Grande Rede, centenas de milhares de pessoas ainda conviviam sem uma biblioteca. Eis um fato que diz tanto do nosso país de contrastes.
Como relata em seu livro, a revolução de Gutemberg em sua vida aconteceu por acaso, aos oito anos, ao topar, num lixão, com uma caixa em que havia brinquedos velhos e um livro. Pois esse livro singelo causou um big bang na vida de Otávio Júnior, que não parou de ler mais desde então. Na sua adolescência, ele fugia das aulas para, num percurso de vinte quilômetros, de ônibus, ir à biblioteca do Museu da República, que não existe mais.

A ousadia nostálgica do jovem do Alemão
Com a apropriação tão acelerada do mundo pela vida virtual, resultado da revolução da microeletrônica que caminha exponencialmente, no crepúsculo de uma era que moldou a nossa civilização - a era de Gutemberg -, a ousadia de Otávio Júnior causa-nos perplexidade: ele é um visionário retrô, que avança nostalgicamente, resistindo de maneira quixotesca contra as transformações aceleradas e aparentemente irreversíveis? Em outras palavras: o livro em papel é o centro de um mundo em extinção?
Não há, provavelmente, discussão mais seminal do que essa, à vista, como dissemos, do que parece o fim de uma era da nossa civilização e da qual procuraremos tratar aqui nesse espaço.

Convido-os a essa reflexão que, dada a sua magnitude, não é apenas filosófica ou acadêmica, pois remete a questões urgentes da organização da vida social, da educação, dos novos meios de comunicação social, da relação entre tecnologia, informação, conhecimento e poder e muito mais.
Voltaremos ao assunto.


por Paulo Matsushita

domingo, 24 de julho de 2011

SAUDAMOS O DIA DA MULHER NEGRA NA AMÉRICA LATINA E NO CARIBE.‏


O movimento negro conta agora com mais um momento de reflexão, vinculado as deliberações ocorridas em 1992 na República Dominicana. Se faz necessário o debate e o combate  ao preconceito racial, agora, vinculado  diretamente  ao debate de Gênero. Saudamos essa manifestação das companheiras e nos somamos a essa importante data na luta por um mundo livre de todas as formas de opressão de Gênero, Etnia e de Classe.

        Cerca de 400 mulheres negras do mundo inteiro, em 1992 na República Dominicana, estabeleceram o “25 de julho” como o Dia da Mulher Negra na América Latina e no Caribe.

"A data vai além da celebração do Dia Internacional da Mulher à medida que marca a luta pelos direitos humanos das mulheres negras, três vezes oprimidas por causa da sua raça, do seu gênero e, finalmente, da sua classe social." (Ubiracy Matildes )

        "Comemorar o Dia 25 de julho é assumir o inteiro teor da luta anti-racista" como reflete a coordenadora executiva do Fórum Nacional de mulheres Negras da Bahia, Ubiracy Matildes "unindo as lutas do povo negro as da plataforma feminista para transformar a mentalidade discriminatória, rumo a construção de um mundo onde a diversidade seja valorizada."

         Essa data juntamente com o Dia internacional das mulheres, o Dia de denunciar o racismo em 13 de maio de cada ano, juntamente com o mês da Consciência Negra em novembro, vai representar significativos avanços  na  reflexão
, ação e luta por um mundo livre da opressão e do Capitalismo.
Vamos a luta sempre.

Aldo Santos-Militante do Espaço Coletivo Luiza Mahin. 

sábado, 9 de julho de 2011

VACINADO PELA PERIFERIA



Ser vacinado pela periferia é ficar imune ao quê? Lendo estas linhas cada um poderá deduzir, tirar sua conclusão.

     O choque entre realidades sociais e culturais está na mídia desde o final da década de 80. Ninguém mais pode alegar ignorância diante de tanta exposição e debate. Mas teoria é uma coisa, prática é outra. Jamais escreveria um livro com a riqueza de detalhes que teve Marvin se eu não tivesse a prática. Até hoje conheço pessoas que fogem de COHABs e núcleos de submoradias como o diabo foge da cruz. Ainda “não se tocaram” de que o filho, o neto ou o sobrinho não precisam recorrer a esses locais para correrem risco de vida ou de saúde. A farinha está na porta do clube, dentro ou próxima do colégio particular. Associar a periferia às drogas e à violência atualmente, é cometer uma gafe, além de deixar transparecer um conceito preconceituoso...o “pré-conceito” discriminatório.
     Jesus nasceu num estábulo, numa cidade sem importância. Desde a época de Cristo, e antes de Cristo, tudo o que ocorre no mundo possui um significado. Para compreender esse quebra cabeça da vida, o “jogo do destino” como poderiam dizer os mais místicos, é necessário despojar-se dos sentimentos de vaidade, orgulho e preconceitos. Seja católico, espírita ou maçom. De tudo aquilo que você foge em seu corpo físico, irá encontrar lá na frente. Alguém aqui pode gritar: “ah,se eu fujo das drogas a vida inteira então eu vou encontrá-la no além? Quer dizer que não devo fugir?” Não! Ninguém deve fugir de nada. Nem do mal. É tudo questão de atitude. Quem não quer usar drogas, não precisa fugir delas. Quem quer seguir a Deus, não precisa fugir do diabo. Basta assumir tal postura. Sim ou não, é ou não é. Reflitam sobre a letra de uma música que diz “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Na sociedade tudo sempre girou dessa forma, e isso acontece devido a má interpretação de uma Palavra santa: “um fruto podre em meio aos bons, contamina todos os demais”. Isso ocorre porque os bons não possuem auto-defesa, não estão imunizados. Circulando por entre igrejas em minhas “peregrinações”, cansei de ver a prática desse conceito distorcido. O fiel, fervoroso, não vai a determinados lugares porque admite ser fraco e cair na tentação. A pergunta que não quer calar: se um aluno está há oito, dez anos na escola, ele já não tem determinado preparo para encarar o mundo profissional? Aqueles que passaram pelo Ensino Médio, fizeram ENEM, vestibulinho, já não possuem preparo para enfrentar a faculdade? O que esses fiéis estão fazendo há tantos anos na igreja se ainda estão fracos? Que soldados de Cristo são esses que se entrarem numa zona de meretrício ou num círculo de “noias” deixarão se levar pela tentação? Quer dizer que a vacina da fé não está fazendo efeito...ou seria apenas uma forma de sair pela tangente? A citação dos frutos podres realmente pode ser uma ótima justificativa para se omitir em determinados trabalhos de importância. Tudo questão de interpretação. O fruto podre contamina se for mantido no local como ele está. O podre também não significa necessariamente que esteja morto, pode estar doente. E como será tratado se for jogado dentro dum poço, com outros doentes? Não é necessário prosseguir, para os bons entendedores, meia palavra basta.
     Cheguei até este ponto para refletirmos sobre a questão social do ambiente, periferia. Falta de saneamento básico, caminhar por vielas de terra, saltando buracos e filetes de esgoto. Iluminação precária a noite. Quem não possui experiência de vida, não se preparou, “passa mal”. Do lado de lá ocorre mesma coisa. Elites de intelectuais criticam (nos bastidores) o povo que não compreende uma bela poesia ou não assimila uma boa música. “Só sabem escrever sobre bandido fugindo de polícia e curtir funk, rap, pagode...”  Se não ocorre uma aproximação de ambos os lados, se as duas faces da moeda não possuem a humildade de penetrar um no mundo do outro, com boa vontade e atitude, não há como compreender e haver um equilíbrio cultural. O ser humano é um só, a sociedade, embora dividida entre nações e culturas, é também uma só. Por isso, se cresci no berço da classe média, “tomei a vacina” da periferia. Para não deixar me seduzir pelo materialismo. Caminho por veredas temidas por aqueles que dizem temer os tais frutos podres. Fogem do diabo e temem a Deus (outro engano!) Se você tem medo do inimigo, ele te alcança, pois só os fracos tem medo! Se você tem medo do seu “patrão”, ele abusará de você, pois os homens tiram proveito dos mais fracos, aqueles que tem medo! Por que temer a Deus se Deus, ao contrário do homem, é bom? No tempo da escravidão, os serviçais não saíam daquela vida porque temiam seus patrões. Começaram a possuir qualidade de vida quando deixaram de temer e passaram a dialogar, enfrentar. Logo, incutir medo nos subordinados sempre foi a forma mais fácil de domínio. Deus precisaria usar desse método para fazer com que sejamos fiéis? Isso é ridículo! Quem tem medo não ama. Quem ama, respeita. Deus avalia a fidelidade do homem pelo respeito que tem diante de Sua Presença.
     Diante de tantos enganos na vida religiosa, espiritual, é de se esperar que a sociedade tenha medos e preconceitos de seus semelhantes só por causa da classe social. Por isso, usei o sentido figurado da vacina. Quem mora na periferia precisa também tomar a vacina cultural do mundo oposto, reconhecer a boa música, a boa literatura... mas precisa haver um preparo, que dificilmente será atingido se não houver boa vontade política de trabalhar a questão. Mas a vacina prioritária, a da periferia, são justamente esses intelectuais que precisam tomar, para conseguirem descer do altar da soberba e ganharem a liberdade que seus condomínios de ilusão não proporcionam.


George André

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Ficha Limpa Municipal de Vinhedo é lançado na Câmara Municipal




Campanha pela aprovação do “Ficha Limpa Municipal” é lançada
 Na noite da última quarta-feira, dia 29 de junho, com o Plenário da Câmara Municipal lotado, lideranças e representantes de um total de 21 partidos e entidades lançaram a campanha “Ficha Limpa Municipal”. 
Proposto pelo PSOL Vinhedo, o Projeto de Lei de Iniciativa Popular pretende instituir os mesmos critérios estabelecidos na Lei Nacional “Ficha Limpa” para a nomeação de cargos políticos em Vinhedo.
As primeiras entidades que definiram adesão ao Projeto foram:
  • Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)
  • Sindicato dos Bancários
  • Associação dos Moradores do Altos do Morumbi
  • Sindicato dos Químicos Unificados
  • Movimento Artístico e Cultural de Vinhedo (MAV)
  • Associação Comercial e Industrial de Vinhedo (ACIVI)
  • Sindicato dos Gráficos
  • Sindicato dos Metalúrgicos
  • Elo Ambiental
  • Associação dos Professores do Ensino Oficial (APEOESP)
  • Sindicato dos Comerciários
  • Escoteiros de Vinhedo
Os seguintes partidos já definiram apoio ao “Ficha Limpa Municipal”:
  • PSOL
  • PDT
  • PSDB
  • PT
  • PHS
  • PCdoB
  • PP
  • PSC
  • PSD
Com base nos artigos 1º e 14 da Constituição Federal e nos artigos 43 e 44 da Lei Orgânica de Vinhedo, o abaixo-assinado pode ser o primeiro Projeto de Lei de Iniciativa Popular a ser aprovada pela Câmara na história da cidade.
A mudança proposta para o artigo 63 da Lei Orgânica do Município pretende estabelecer impedimento para que pessoas que possuem condenação por órgão judicial colegiado não assumam as funções de Secretário, Diretor ou outro cargo comissionado, em todas as esferas da Administração Pública.
Para participar da campanha o cidadão vinhedense pode procurar os formulários em um dos pontos de distribuição e coleta de assinaturas. É importante salientar que é necessário o número do título de eleitor.
Para o início da campanha foram definidos 8 pontos de apoio:
  • Associação Comercial e Industrial de Vinhedo (ACIVI) – Rua João Corazzari, 270 – Centro;
  • Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Estrada da Boiada nº 520, Jardim Brasil;
  • Sindicato dos Químicos Unificados – Rua José Matheus Sobrinho, 494, Centro;
  • Mandato da Vereadora Marta Leão – Avenida Dois de Abril, nº 78, Centro;
  • Balcão de Anúncios do Jornal Classificados – Rua Fernando Costa, 515 – Centro;
  • AJSS Papelaria - Rua Juliana Von Zuben Degelo, 50 SL5 em frente ao CML da Capela;
  • Bspace - Rua Eduardo Ferragut,145, Jardim Itália;
  • Elo Ambiental - Rua 24 de Outubro, 390 – Sala 16 – Centro.
A Plenária de Lançamento da Campanha definiu que a Coordenação da Campanha pela Aprovação do Ficha Limpa Municipal, em Vinhedo, será composta por uma representação de todas as entidades que apóiam o Projeto.
As reuniões da Coordenação são abertas para a participação da população. A adesão de mais entidades, partidos e igrejas pode ser feita a qualquer momento no decorrer da campanha.
A primeira reunião da Coordenação vai acontecer na próxima quarta-feira, dia 06 de julho, na sede da OAB. Entre os pontos de pauta estão previstos:
  1. Comunicação da Campanha (logotipo, jornal, redes sociais e site);
  2. Organização da mobilização para coleta de assinaturas.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Reforma do ensino médio ataca direitos dos educadores brasileiros.



Os educadores brasileiros que lecionam no ensino médio, contarão com uma nova publicação das Diretrizes Curriculares Nacionais, aprovada pela Câmara de Educação Básica do MEC.
Ao avaliar o conjunto das diretrizes, observamos que grande parte das mudanças aguardadas no âmbito da melhoria da educação, na prática, observa-se um notável  retrocesso, além da insuficiente falta de investimentos, dado que para nós, deve-se elevar os investimentos   ao patamar der 10% do PIB brasileiro como condição básica para alavancar o desenvolvimento do nosso país, posicionando-o no ranking  dos países que de fato priorizam a educação como fator determinante do desenvolvimento.
A Câmara de Educação Básica aprovou por unanimidade o parecer 05/2011 em 04 de maio de 2011, que embasará mais um projeto governamental recheado de ataques aos parcos direitos dos educadores brasileiros.
        Esse documento deve ser lido e estudado minuciosamente pelos representantes de classe e educadores em geral, dado seu conteúdo específico, bem como as mudanças implícitas que nortearão as políticas no ensino médio nos próximos anos.
O projeto de resolução que será homologado contém no geral, as bases do parecer da Câmara de Educação Básica. Ao manter o inteiro teor do projeto, aprofundar-se-ia ainda mais as dificuldades já existentes na parte curricular e formas de organização, dentre outros pontos.
No referido projeto, prediz o artigo 7º: “A organização curricular do Ensino Médio tem uma base nacional comum e uma parte diversificada que não devem constituir blocos distintos, mas um todo integrado, de modo a garantir tanto conhecimentos e saberes comuns necessários a todos os estudantes, quanto uma formação que considere a diversidade e as características locais e especificidades regionais”. Assim, o governo pretende avançar em avaliação nacional como é o caso do ENEM, contudo, flexibiliza-se, a parte pedagógica tendo por base “... as características locais e especificidades regionais”.
De acordo com o projeto, o currículo deve ser organizado em quatro áreas do conhecimento: Linguagem, Matemática, Ciências da natureza e Ciências humanas.
Segundo o § 2° do artigo 8°, “A organização por áreas de conhecimento não dilui nem exclui componentes curriculares com especificidades e saberes próprios construídos e sistematizados, mas implica no fortalecimento das relações entre eles e a sua contextualização para apreensão e intervenção na realidade, requerendo planejamento e execução conjugados e cooperativos dos seus professores”.
Especificando melhor, o projeto assegura que os componentes curriculares estão previstos na LDB da seguinte forma:
I) – Linguagens: Língua Portuguesa; Língua Materna, para populações indígenas; Língua Estrangeira moderna; Arte, em suas diferentes linguagens: cênicas, plásticas e, obrigatoriamente, a musical; e Educação Física.
II – Matemática.
III – Ciências da Natureza: Biologia; Física; e Química.
IV – Ciências Humanas: História; Geografia; Filosofia; e Sociologia”.

Em linhas gerais o projeto do governo atual não difere dos módulos anteriores e, de certa forma, reproduz a linha tucana da organização curricular.
Com essa conformação, na prática cotidiana, poderá de fato ocorrer à diluição de disciplinas e o afunilamento dos conteúdos específicos por área de conhecimento avançando-se assim a política de enxugamento da máquina, dificultando, ainda mais, o acesso, bem como levando ao desemprego grande parcela de professores do ensino médio.
No tocante a forma de oferta do ensino médio, particularmente referente ao período noturno, avançam no enxugamento da máquina, introduzindo o ensino a distância, inicialmente em torno de 20% e, certamente com o tempo, elevarão este percentual a patamares superiores a fim de evitar gastos, promover o desemprego e avançar na privatização da educação, como, aliás, tem sido a tônica de vários governantes  em nosso país.
Prediz o artigo 14: “O Ensino Médio, etapa final da Educação Básica, concebida como conjunto orgânico, sequencial e articulado, devem assegurar sua função formativa para todos os estudantes, sejam adolescentes, jovens ou adultos, atendendo, mediante diferentes formas de oferta e organização:
...
III – o Ensino Médio regular diurno, quando adequado aos seus estudantes, pode organizar em regime de tempo integral com, no mínimo, 7 (sete) horas diárias”.

IV – no Ensino Médio regular noturno, adequado às condições de trabalhadores, respeitado os mínimos de duração e de carga horária, o projeto político-pedagógico deve atender, com qualidade, a sua singularidade, especificando uma organização curricular e metodológica:
a) ampliar a duração do curso para mais de 3 (três) anos, com menor carga horária diária e anual, garantido o mínimo total de 2.400 (duas mil e quatrocentas) horas;
b) incluir atividades não presenciais até 20% (vinte por cento)da carga horária diária e de cada tempo de organização escolar, desde que haja suporte tecnológico e seja garantido o atendimento por professores e monitores;

V – na modalidade de Educação de Jovens e Adultosobservadas suas Diretrizes específicas, com duração mínima de 1.200 (mil e duzentas) horas, devem ser especificadas uma organização curricular e metodológica diferenciada para os estudantes trabalhadores, que pode:
...
b) incluir atividades não presenciais, até 20% (vinte por cento) da carga horária diária e de cada tempo escolar, desde que haja suporte tecnológico e seja garantido o atendimento por professores e monitores...”.

As diretrizes apresentam uma série de análises, de caráter sociológico e conceitual, em referência ao trabalho e ao mesmo tempo dá continuidade as políticas aprovadas pelos governos anteriores, escamoteando o debate com a sociedade organizada através de suas entidades de classe, ao mesmo tempo em que,  os planos educacionais apresentados, pouco diferem das políticas aprovadas já no período de Fernando Henrique Cardoso.
Algumas propostas representam a luta e a força do movimento organizado como podemos observar com a publicação da Lei nº 11.645/2008 que alterou a redação do art. 26-A, para incluir no currículo a obrigatoriedade da temática “Historia e Cultura Afro-Brasileira e Indígena” (anteriormente, a redação deste artigo era dada pela Lei nº10. 639/2003, a qual não incluía o grupo indígena).
Outro grande movimento nacional ocorreu em relação à Lei nº 11.684/2008 que incluiu Filosofia e Sociologia como obrigatórias em todos os anos do Ensino Médio. (Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO; CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO)
Outros pontos devem ser avaliados e questionados, nesse momento, porém, destaquei como objeto de reflexão os itens acima mencionados.
Entendo que ainda é possível que haja alterações nos itens focados pelas entidades de classe, assim como, inúmeros outros pontos do projeto em tela. No geral, a política de mérito do governo do estado encontra respaldo nas políticas nacionais, e   com essa novas propostas aumentam a responsabilidade dos setores organizados da sociedade em busca de um projeto educacional brasileiro, que de fato, acabe com o analfabetismo, avance nos investimento à educação, para que, de forma estratégica, coloquemos  o país  em condições de igualdade  com os outros países. O desenvolvimento e soberania de um país estão diretamente relacionados com a efetiva valorização  do magistério, investimento de fato na educação e outras áreas  determinantes como: saúde, reforma agrária e urbana, meio ambiente e erradicação da fome de fato, com  medidas concreta e não com eternas políticas compensatórias, além da necessidade de instituirmos uma  educação  de conteúdo transformador em busca de uma sociedade  justa, igualitária  e socialista.

Educar e transformar é preciso!!!

Aldo Santos; Professor de Filosofia da Rede Pública Estadual, Coordenador da Corrente Política TLS, Presidente da Aproffesp, membro do Coletivo Nacional de Filosofia, membro da Executiva Nacional do Psol.

Ficha Limpa em Vinhedo